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O Espelho

O espelho não reflete a realidade, apenas uma imagem. Aqui, estou diante do espelho.

 
 
Decifra-me

 
 
 
Domingo, Novembro 08, 2009

Ao caminhar sozinha pelo parque, sobre o tapete de flores amarelas e roxas que se formou no caminho, depois da tempestade, percebeu que algumas das imagens mais bonitas são, também, as mais melancólicas.


Domingo, Outubro 11, 2009

São essas pequenas coisas do cotidiano que eu não sei contar. As histórias banais, os detalhes, a rotina, um dia normal na vida de uma pessoa normal. O coração que eu fiz pra ele com o vapor e a água que escorriam no box do banheiro, estar com meu pai em qualquer lugar que não seja o quarto de um hospital, tomar o chá com torrada de todas as noites com a mãe, ter uma mesa cada vez maior no almoço de sábados no Ocidente, visitar uma grande amiga pra conhecer o bebê que acabou de nascer, beber champanha com os colegas de trabalho após o expediente, perder algumas horas lendo as atualizações dos amigos no Facebook e fazendo comentários, ouvir música no escuro, tomar uma taça de vinho em um feriado chuvoso, ler um bom livro. Tantas coisas que eu não sei contar!


Quinta-feira, Outubro 01, 2009


Quarta-feira, Setembro 02, 2009

Frente a frente, fazendo as mesmas coisas de forma invertida,
já não sei dizer quem sou:
a do lado de cá ou a do lado de lá do vidro?


Segunda-feira, Agosto 10, 2009


Nascer do sol na praia do Cassino, do meu arquivo pessoal.


Amanhece. Mais um dia de não dizer coisas não ditas. Não é o momento. Será um dia?



Sábado, Julho 11, 2009


Quarta-feira, Junho 10, 2009

Já que eu mesma não tenho tempo-inspiração-vontade de escrever, por ora, me utilizo da palavra dos outros pra continuar me expressando.

Tango
Idea Vilariño, com tradução de Sergio Faraco

"Venho pela rua
compro pão
entro em casa
há névoa e venho triste
teu amor é uma ausência
teu amor digo meu amor
amor que terminou em nada.
Subo as escadas
repassando essa história
e fico no escuro
atrás da porta
amarga
pensando não pensando
em teu amor
na vida
na solidão que é
a única certeza."


"Yo vengo por la calle
compro pan
entro em casa
hay niebla y vengo triste
tu amor digo mi amor
amor que quedó en nada.
Subo las escaleras
repasando esa historia
y me quedo en lo oscuro
tras de la puerta
amarga
pensando no pensando
en tu amor
en la vida
en la soledad que es
única certidumbre."

Domingo, Maio 17, 2009

"Prefiro solfejar a verossimilhança da fantasia, a emudecer nos inverossímeis compassos da realidade." (Jerônimo Jardim)


Quinta-feira, Abril 23, 2009



Caminhos. Escolhas.
Por quê? Por quê?
Quem falou em autonomia?
É a vida que me leva. Há muito tempo já não decido nada.
E agora?
Não sei pra que lado sopra o vento.
Barco perdido no oceano.
Águaterramarear.
outono-inverno
primavera-verão.
Passa-tempo pra passar o tempo.
Eu não tenho qualquer coerência.
Acho que desenlouquecerei
Um dia.



Sexta-feira, Janeiro 23, 2009

Tenho quatro correios eletrônicos. Quatro correios eletrônicos? Pois é, tem aquele que é o do MSN, tem aquele que tem uma capacidade maior para receber vídeos e fotos, tem aquele que é o da assinatura, e, finalmente, tem o profissional. Não é fácil viver em um mundo virtual. Lembra quando todo mundo se comunicava por carta? E então, veio a Internet e o correio eletrônico e hoje, na minha caixa de correspondência, só chegam contas, folhetos publicitários e o jornal diário. Só que veio o Orkut, Facebook e outros similares, e as cartas eletrônicas passaram a ser meros scraps, textículos, porque o mundo é rápido, a vida é breve, e a comunicação também. Odeio correntes. Odeio receber propagandas, folders e coisas do gênero. Odeio receber piadas. Odeio mensagens coletivas com arquivos anexados. Só que hoje, 95% das mensagens que recebo nos meus quatro correios eletrônicos e nas minhas mensagens do Orkut e do Facebook são exatamente isso. Então deleto, deleto, deleto. E sempre com muita raiva, deleto. Assim, é natural que a mensagem "passar adiante o amor", com arquivos anexados, vá direto para a minha lixeira eletrônica. Lixo no primeiro correio. Lixo no segundo correio. Lixo no terceiro correio. No quarto correio, a mensagem ou a curiosidade (que maldito amor é esse?), me vence no cansaço. Para minha surpresa, são fotos lindas, de uma amiga e sua família em local paradisíaco, e uma mensagem em que ela divaga sobre a vida, a família, as amizades, essa total distância disfarçada de proximidade eletrônica, e essa vontade de compartilhar um momento especial. Moral da história? Nenhuma. Vou seguir deletando, apagando, jogando fora tudo o que eu achar ser lixo eletrônico, mas espero continuar sendo sempre vencida pelo amor. Não o amor enlatado, o amor padronizado, o amor recorta e cola, mas aquele amor legítimo e com destino certo, como flecha de cupido.


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