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This is my blogchalk: Brazil, Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Portuguese, English, Thais, Female, 31-35, Carpe Diem!, Alea Jacta Est.
O Espelho
O espelho não reflete a realidade, apenas uma imagem. Aqui, estou diante do espelho.
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Quarta-feira, Junho 10, 2009
Já que eu mesma não tenho tempo-inspiração-vontade de escrever, por ora, me utilizo da palavra dos outros pra continuar me expressando.
Tango
Idea Vilariño, com tradução de Sergio Faraco
"Venho pela rua
compro pão
entro em casa
há névoa e venho triste
teu amor é uma ausência
teu amor digo meu amor
amor que terminou em nada.
Subo as escadas
repassando essa história
e fico no escuro
atrás da porta
amarga
pensando não pensando
em teu amor
na vida
na solidão que é
a única certeza."
"Yo vengo por la calle
compro pan
entro em casa
hay niebla y vengo triste
tu amor digo mi amor
amor que quedó en nada.
Subo las escaleras
repasando esa historia
y me quedo en lo oscuro
tras de la puerta
amarga
pensando no pensando
en tu amor
en la vida
en la soledad que es
única certidumbre."
Domingo, Maio 17, 2009
"Prefiro solfejar a verossimilhança da fantasia, a emudecer nos inverossímeis compassos da realidade." (Jerônimo Jardim)
Quinta-feira, Abril 23, 2009
Caminhos. Escolhas.
Por quê? Por quê?
Quem falou em autonomia?
É a vida que me leva. Há muito tempo já não decido nada.
E agora?
Não sei pra que lado sopra o vento.
Barco perdido no oceano.
Águaterramarear.
outono-inverno
primavera-verão.
Passa-tempo pra passar o tempo.
Eu não tenho qualquer coerência.
Acho que desenlouquecerei
Um dia.
Sexta-feira, Janeiro 23, 2009
Tenho quatro correios eletrônicos. Quatro correios eletrônicos? Pois é, tem aquele que é o do MSN, tem aquele que tem uma capacidade maior para receber vídeos e fotos, tem aquele que é o da assinatura, e, finalmente, tem o profissional. Não é fácil viver em um mundo virtual. Lembra quando todo mundo se comunicava por carta? E então, veio a Internet e o correio eletrônico e hoje, na minha caixa de correspondência, só chegam contas, folhetos publicitários e o jornal diário. Só que veio o Orkut, Facebook e outros similares, e as cartas eletrônicas passaram a ser meros scraps, textículos, porque o mundo é rápido, a vida é breve, e a comunicação também. Odeio correntes. Odeio receber propagandas, folders e coisas do gênero. Odeio receber piadas. Odeio mensagens coletivas com arquivos anexados. Só que hoje, 95% das mensagens que recebo nos meus quatro correios eletrônicos e nas minhas mensagens do Orkut e do Facebook são exatamente isso. Então deleto, deleto, deleto. E sempre com muita raiva, deleto. Assim, é natural que a mensagem "passar adiante o amor", com arquivos anexados, vá direto para a minha lixeira eletrônica. Lixo no primeiro correio. Lixo no segundo correio. Lixo no terceiro correio. No quarto correio, a mensagem ou a curiosidade (que maldito amor é esse?), me vence no cansaço. Para minha surpresa, são fotos lindas, de uma amiga e sua família em local paradisíaco, e uma mensagem em que ela divaga sobre a vida, a família, as amizades, essa total distância disfarçada de proximidade eletrônica, e essa vontade de compartilhar um momento especial. Moral da história? Nenhuma. Vou seguir deletando, apagando, jogando fora tudo o que eu achar ser lixo eletrônico, mas espero continuar sendo sempre vencida pelo amor. Não o amor enlatado, o amor padronizado, o amor recorta e cola, mas aquele amor legítimo e com destino certo, como flecha de cupido.
Terça-feira, Janeiro 06, 2009
Escrevi esse texto para a brincadeira de alfabeto do Ménage. Agora, por total falta de criatividade, imaginação, paciência, etc etc etc, e por ser uma variação sobre o mesmo tema (medo, solidão, vida e morte), transporto de lá pra cá.
medo
medo de quê?
medo de ser kafkianamente preso sem poder se defender?
de perder o humor, o rumo, o jogo, o senso, a hora, a paciência?
medo, medo
medo de seqüestro, tortura, estupro, violência?
medo de altura, medo da loucura, medo, medo de quê?
medo da chuva, da água, da enchente, de se afogar?
medo do calor, do sol, da seca, de se queimar?
medo, medo, medo
de andar e de parar?
a reta e a curva, o ódio e o amor, o preto e o branco, o fim e o infinito,
o real e a ilusão, o grito e o silêncio,
medo, medo, medo
medo dos opostos e medo dos iguais
medo de quê?
de sofrer, de morrer?
medo muito muito pior
medo, medo, muito medo
medo de viver.
Quarta-feira, Dezembro 10, 2008
Não saio mais de casa.
Na tela da televisão,
Nas páginas do jornal,
Do outro lado da janela,
A vida é cinza, feia,
Triste e sórdida.
Por que não sinto perfumes, nem vejo primaveras?
Dentro de mim só existem medos.
E essa imensa agonia,
Essa irrespondível pergunta.
Terça-feira, Novembro 11, 2008
Vazio, by Pablo Herrerias.
Eu falo com as paredes. Falo com as portas e com as janelas também. Falo com os livros, com o meu computador, com a árvore do jardim, com a foto de meus avós, com o quadro de ideograma japonês, com a televisão, com o microondas, com a mesa, a cama, a banheira, a cadeira. Eu falo com o chão, com a noite, com a lua, com o dia, com o sol, com os astronautas, com os continentes, com o universo, com o teto. Falo com os animais e com as pessoas. Falo com o vizinho, com a colega, com o chefe, com o motorista, com a ambulante, com o vendedor, com a polícia, com o ladrão, com o namorado, com o irmão, com o amigo e com o inimigo. Eu falo com a faca, com a carne, com o sangue. Falo com o gelo e com o fogo. Eu falo com os olhos, com a boca, com as mãos, com o corpo. Falo comigo e com essa solidão. Essa solidão que só cresce e cresce e aumenta enquanto eu falo, falo, falo e nada nem ninguém entende, e nada nem ninguém responde. Eu falo, falo, falo com essa solidão.
Quarta-feira, Outubro 15, 2008
Em tempo
Às seis e meia da manhã, Thaís e Antônio acordaram com o despertador. Dez minutos depois, ainda um pouco sonolentos, Antônio saía do banho e Thaís preparava o café. Às dez horas da manhã, o telefone tocou na sala de Ivânia. Cinco minutos depois, Ivânia ligou para o fornecedor que ainda não tinha entregue o material da campanha de lançamento de um novo produto. Ao meio-dia, Teresa sentiu um cheiro forte de queimado. Três minutos depois, Teresa finalmente desligou o fogão em que jazia uma chaleira seca e derretida. Às duas horas da tarde, Alaor colocou todas as coisas que carregava no compartimento ao lado da porta giratória. Sete minutos depois, perplexo, Alaor ouviu dois homens anunciarem o assalto ao banco. Às quatro horas, Jerônimo pegou o violão. Doze minutos depois, Jerônimo tocava os últimos acordes de sua nova canção. Às seis e meia da tarde, Jerusa sentiu seu corpo ser jogado pra frente e, depois, pra trás. Quatro minutos depois, Jerusa discutia com o motorista desatento que havia abalroado na traseira do seu carro. Às sete horas da noite, Flávio viu a bola girando em sua direção. Alguns segundos depois, Flávio se sentiu um Federer ao rebater com um slice de direita com efeito em top-spin. Às sete e meia da noite, Mara mandou os alunos desligarem seus celulares. Seis minutos depois, Mara lia um trecho de Crime e Castigo a seus alunos. Às oito horas da noite, Patrícia ouviu um barulho seco e sentiu a terra tremer. Um minuto depois, Patrícia ainda olhava, horrorizada, o corpo do jovem Werther, que tinha acabado de pular 22 andares para a morte.
Suicidio, by Ana Paula Andrade em Olhares Fotografia Online.
Quinta-feira, Setembro 18, 2008
Abracadabra
Abra Cadaaaabra
Abra-ca-da-bra
abracadabra!
Abracadabrabracadabrabracadabra
Às vezes parece que só mesmo assim,
com mágica, pra mudar o Brasil.
Às vezes parece que nem mesmo assim.
Domingo, Agosto 31, 2008
Dez minutos atrasada. Conselho das amigas. No primeiro encontro, nada de chegar antes. Quando a gente chega antes da hora, eles já pensam que estamos desesperadas. E homens têm medo de mulheres desesperadas. Desaparecem no ato. Chegar na hora é germânico demais. Ele vai achar que está saindo com uma mulher calculista, que planeja as coisas e que, provavelmente, se transformará em uma namorada controladora. Sem falar que tira a emoção da expectativa. Ele tem que sentir aquele friozinho na barriga. No primeiro encontro, é bom deixar que eles esperem um pouco. Mas só um pouco, hein! Se demorar muito, chega outra na área ou ele vai embora e não é essa a intenção. Uma mulher solteira tem que ter sempre uma revista feminina por perto, porque elas sempre dão esse tipo de dica, sabe. Elas também ensinam o que falar e o que não falar em um primeiro encontro, como fazer com que o primeiro encontro vire namoro, o que vestir, como arrumar o cabelo. Quem pensa que um encontro é simplesmente um encontro está totalmente equivocada. O grau de complexidade é incrível.
Então, dez minutos atrasada. Eles já se conhecem, mas enquanto se arrumava e as amigas faziam aquelas perguntas básicas, ela percebeu que não sabia nada sobre ele.
Profissão? Não sei. Idade? Não tenho nem idéia. Tem filhos, ex-mulher? Mora sozinho ou com os pais? Gosta do cinema europeu? Não sei, não sei, não sei.
Agora, ali está ele, sentado, uma taça de vinho tinto na mão, cabeça baixa, escrevendo em um guardanapo. Pontos pra ele. Ela também, quando está sozinha, tem a mania de escrever coisas em guardanapos. E a opção de vinho tinto, ao invés de um copo de cerveja, pode indicar que ele pensa em uma noite mais intimista, algo romântico. Muito promissor.
"Oi! Desculpa o atraso, mas sabe como é, o trânsito, e depois, conseguir vaga pra estacionar... "
Ele levanta a cabeça e só então ela percebe o celular que ele segura com a mão esquerda.
Culpa da tecnologia, claro! Hoje em dia fazem aparelhos tão, tão pequenos, que ele mais parecia o pensador de Rodin do que alguém falando ao telefone. E ela já entrou falando, falando. As revistas femininas dizem pra nunca fazer isso - mulheres falam demais! O problema é que quando fica nervosa ela faaaala. E, claro, ela achava que estava calmíssima até entrar no bar e aí já sentiu aquele friozinho que, no caso dela, não fica só na barriga, mas se espalha por todo o corpo e ainda tem esse efeito de causar um tipo de diarréia verbal.
"Só um momento", ele diz e ela não sabe se é pra ela ou se é pra pessoa ao telefone, até que ele se levanta, sorri, puxa a cadeira pra ela sentar e diz que só vai terminar o assunto que, afinal, era urgente.
"Não. Quem sabe a gente resolve isso amanhã? É que eu estou ocupado, agora. Pois é, não dá pra falar. Olha, eu tenho mesmo que desligar. Me liga amanhã. Ok." E assim que ele desliga o micro-celular, ela retoma o texto ensaiado com as amigas.
"Desculpa o atraso, mas sabe como é, o trânsito e conseguir vaga. E desculpa entrar assim falando, mas eu não tinha percebido o telefone..." E o telefone toca. O dele.
"Desculpa, mas eu tenho que atender".
"Tudo bem, claro, atende."
A garçonete chega e ela pede o cardápio.
"O Hélio? Não, tem que chamar a Sandra. O Hélio não entende nada disso."
A garçonete deixa dois cardápios sobre a mesa.
"Eu já disse que não. Não adianta. Mas vocês têm que resolver isso. Então fala com o Guilherme. É, fala com o Guilherme."
A garçonete volta para pegar o pedido. Ela pede uma garrafa de um vinho tinto chileno. Tem safra 2005? Vou ver. Depois, a garçonete volta e diz que não, que só tem safra 2007. E a verdade é que ela não entende nada de vinho ou de safra, mas a revista feminina diz que dependendo da roupa que ele estiver vestindo, do penteado e da bebida que ele estiver bebendo - com a tática dos dez minutos de atraso, é praticamente certo que ele já terá pedido alguma bebida e, também nisso, o atraso é estratégico - a mulher causará uma boa impressão se demonstrar certo grau - não em excesso, claro - de sofisticação. E como ninguém entende muito de vinho e de safra mesmo, basta fazer um ar de expert e pronto. É claro que a tática pode dar errado se ele entender de vinho e de safras, mas a revista também diz que as chances de isso acontecer são mínimas. Menos de 5%. Então, vale a pena correr o risco. Pode trazer a 2007 mesmo. E o celular dele está novamente desligado sobre a mesa.
"O que é mesmo que tu estavas dizendo?"
"Ah... eu queria pedir desculpas pelo atraso, mas o trânsito, e a vaga pra estacionar, sabe, né, e ainda, eu cheguei falando e nem percebi que o telefone..."
Novamente o celular tocando. O dele. Novamente ele olha e ela faz o sinal de que tudo bem, que ele pode atender, imagina, ela entende. Coisas urgentes. A vida não é fácil, hoje em dia. Tudo é urgente, hoje em dia.
A garçonete já trouxe o vinho. Ela fica olhando pra ele. E não é que ele é bonito mesmo? Ela ainda não tinha ficado tão perto dele, pelo menos, não tão perto a ponto de ver cada detalhe, de poder analisar a geometria do rosto, a linha dos lábios, a curvatura da sobrancelha, o espaço entre olhos e nariz. E logo ela pensou que ele poderia estar fazendo a mesma coisa, analisando cada detalhe do rosto dela, e veio a insegurança, o medo de ele não gostar do nariz arrebitado dela, ou do cílio curto - ela sempre quis ter cílios longos. Não, a verdade é que, tirando alguns momentos em que ele sorria pra ela e fazia um sinal que ela entendia como sendo "desculpa, mas logo, logo eu me desligo desse blá blá blá", a maior parte do tempo ele tinha aquele olhar abstrato de quem olha pra lugar nenhum.
Segundo cálice de vinho. O celular novamente sobre a mesa.
"Então, eu dizia que o trânsito e a vaga e eu, falando, e tu, falando, e o celular..."
E novamente o maldito celular. O dele.
E novamente o maldito sinal de que ele tinha que atender. Dessa vez, ela nem disse nada, apenas completou os dois cálices de vinho.
"Oi, filho. Não, agora o papai não pode. Ah... claro, filhão. Tá, mas tem que ser uma estória bem curtinha, tá, porque o papai está ocupado. Qual? A do lobinho e o caçador? Tudo bem. Era uma vez..."
Quarto cálice. Quinto cálice.
E o celular tocando. O dele. Trabalho, filho, ex-mulher, amigos, melhor amiga, mãe, cartão de crédito.
Garrafa vazia. Telefone celular sobre a mesa. Desligado. Agora, é ele quem começa:
"Acho melhor pedir a conta. Já está tarde, né. O tempo passou tão rápido."
Ela, um pouco bêbada.
"Ah... é assim, o tempo sempre passa rápido quando a gente encontra alguém interessante e quando a conversa flui, né."
"É verdade. Olha, a gente tem que sair novamente. Posso te ligar outra vez?"
"Claro, claro. Sabe, eu também tenho um celular. Pode não parecer, mas eu tenho. Tem meu celular, né?"
Vem a conta. Ela diz que precisa ir ao banheiro, mas faz sinal pra ele ir pagando. Isso não está escrito em nenhuma revista feminina. Na verdade, a revista diz o contrário. Diz que a mulher de hoje tem que dividir a conta, que não é certo esperar que o homem pague. A revista que se dane! Aquele encontro foi uma merda e ela não está disposta a pagar pelo tempo de escuta. Ela não é uma maldita psicóloga, que recebe pra ouvir os outros falarem. Na verdade, seria ótimo poder falar com alguém. Falar.
Ela volta pra mesa. A conta já está paga. Eles saem.
"Esta noite foi especial. Muito bom sair contigo. Então tá, eu te ligo!"
"Ok, me liga."
E enquanto caminha em direção ao carro, ela ouve aquele som já familiar do celular tocando. O dele.
(ainda sem revisão e correções)
Máquina do Tempo
Estação
"Se tudo passa, talvez você passe por aqui."
online
Com orgulho


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